Ateliê SerTão lança coleção de joias “Raízes”

Nem tudo que reluz, é joia. A assertiva é base da joalheria autoral, um conceito que apesar de não ser inédito no Brasil, ainda mantém-se pouco difundido. Para os designers modernos, não importa se é ouro, prata, bronze, pérola ou cerâmica. Se o trabalho é criado e confeccionado para ser uma peça artística única, então eis o verdadeiro conceito de joia. É por onde caminham esses dois nomes da nova geração da ourivesaria potiguar, Caio Freire e Gabriela Sales

Foto: Fabiano Guedes / Ateliê SerTão

Eles compartilhando referências culturais e ideias na construção de uma joalheria inspiradora, autoral, acessível do ponto de vista comercial e, principalmente, conectada com suas identidades culturais. Dessa liga surge o “Ateliê SerTão”, espaço que atua como loja de joias prontas, ateliê de criação e escola de formação técnica em ourivesaria.

Em 2018 lançou a coleção “Raízes”, a primeira confeccionada a quatro mãos. A coleção reúne peças em prata, pedras regionais, como Turmalina Paraíba, pérola, e materiais rústicos, como madeiras e raízes, em um trabalho diferenciado e ao mesmo tempo acessível. As peças da nova coleção variam de R$ 40 a R$ 400.  Ao lado dos metais, há peças que trazem detalhes em madeiras descartadas há mais de 30 anos da Mata Atlântica, esculpidas pelo tempo.

Foto: Fabiano Guedes / Ateliê SerTão

PEÇAS DA COLEÇÃO

A árvore sagrada do Sertão, o umbuzeiro, ganha uma representação em forma de joia. Ele é um milagre do sertão, em meio a toda escassez e hostilidade, ela se mantém verde, com copas frondosas, sombra fresca e acolhedora, seus frutos encantam o paladar com uma peculiaridade agridoce. Essa peça é feita em prata 950k e pedra quartzo verde. Também nesta coleção “Raízes”, há uma homenagem ao rei do baião na peça ‘Asa branca – Raízes do sertão’, (com prata 950k com textura e oxidação e pedra quartzo branco).

Em “Meu cantinho”, uma referência à paisagem rural da casinha escondida na serra, feita em prata 950k e refugo de madeira. Em “Gaia”, mãe de todos os seres, vem representada em prata 950k com textura e oxidação e berilo de água marinha.

Foto: Fabiano Guedes / Ateliê SerTão

CONFECÇÃO

O diferencial das peças confeccionadas pelo Ateliê SerTão está no tratamento dos materiais e na combinação entre o metal e os elementos rústicos, sempre buscando referências culturais, seja no trabalho de um artista visual ou no cenário da região. Gabriela e Caio fazem uso de vários metais nobres, como ouro e prata, principalmente a prata, combinados às pedras naturais regionais, entre as quais se destacam as turmalinas de cores variadas, quartzo, topázios, pérolas, água marinha, esmeralda, ônix, entre outras.

Também utilizam materiais alternativos como azulejos, madeiras brasileiras, madeira de demolição, cipó amazônico, pedras de lajedo, pedras regionais, Nessa linha, os designers pretendem aprofundar o conceito de ‘biojoia’, onde existe a utilização de materiais extraídos da natureza sem causar danos a ela. Há uma preocupação em dar personalidade à joia. Quase sempre os metais ganham texturas para buscar essa profundidade, tornando-a um objeto único. A prata pode surgir não tão reluzente, com tratamento oxidado.

O ouro que nem sempre é amarelo e, dependendo da liga, pode ser dourado rosado, esverdeado. “Às vezes utilizamos o ouro e prata numa mesma joia”, explicam. A esses metais trabalhados são agregados os achados naturais, como por exemplo um pedaço de imburana, que tem sua nobreza intrínseca na identidade sertaneja. Exemplo são os pingentes de cajus esculpidos em madeira e adornados com prata, um dos trabalhos recentes assinados pelo designer.

O processo de criação das joias é todo orgânico, manual, do desenho à fundição. Nisso inclui o respeito ao material apresentado. “Basicamente começamos com o esboço no papel e a troca de ideias. Depois do desenho finalizado, começamos a fundir os metais, transformar em fios e confeccionar a peça. Às vezes, porém, uma pedra ou material se revela e a gente vai respeitando essa peça, construindo o desenho a partir de sua forma natural”, explica Gabriela. Foi assim que nasceu a coleção “Fado Tropical”,  a partir de azulejos portugueses originais trazidos por uma amiga.

O designer Caio Freire trouxe para o “Ateliê SerTão” sua experiência de mais de 12 anos na profissão, iniciada entre os antigos ourives do Rio Grande do Norte, mestres familiarizados com a arte clássica da ourivesaria. Passou também pelos principais ateliês de design de joias, como Valéria Françolin e Luandagan. Já Gabriela, aluna de Freire, tem uma carreira mais recente na arte da joalheria, mas oferece um olhar amplo de sua experiência como artista plástica e chef de cozinha, formada em Gastronomia e pós-graduanda em Moda.

Foto: Fabiano Guedes / Ateliê SerTão

JOALHERIA ACESSÍVEL

Para Caio Freire, a joalheria acessível alia conhecimento, estética, pesquisa, independente dos materiais. “Criamos peças individuais com conceito de design a um preço às vezes até abaixo que as chamadas semi-joias ou até as banhadas de lojas de bijuterias”, comenta o designer. Ele explica que muitas dessas peças reproduzem os modelos da joalheria convencional e seus desenhos já são tão banalizados que não tem nenhum valor agregado. “Queremos mostrar a mais pessoas que elas podem usufruir desse conceito de joias exclusivas, utilizando materiais nobres, com o preço justo. Além de sua durabilidade, a joia com design é funcional e elegante”, explica ele.

 SERVIÇO

Rua Maxaranguape, 683-loja 2, no bairro do Tirol – Natal – RN

Contato com os designers Caio Freire (84) 8876-9860 | Gabriela Sales (84) 8833-2040

14 de junho de 2019