Escritora brasileira Simone Bica apresenta o mundo árabe através da sua visão como mulher

Simone Bica lança seu livro ‘Diário do Oriente – Percurso de uma alma beduína’ onde fala do seu amor pelo mundo árabe, de suas experiências na Jordânia e suas viagens por vários países do mundo.

O mundo árabe sempre fascinou a muitos por seus encantos, mitos e lendas mas também é cercado de mistério, preconceitos do ponto de vista de quem está de fora e perguntas não respondidas. Para quem não vive aquela cultura, que é tão distinta em relação ao ocidente, que teve como base a cultura europeia, pode ser difícil entender e até mesmo encontrar respostas e porquês de certos costumes, roupas, rezas e hábitos.

Simone Bica – Foto: Reprodução

A escritora Simone Bica, que também é estudante de psicanálise, gastronomia e Idiomas, vive com toda plenitude seu estado nômade, se permitindo vivenciar, experimentar e mergulhar em muitas culturas, passando por vários processos de aprendizado. Vivenciando na pele e na alma seu estado itinerante, a semelhança dos beduínos, ela se propôs ao desafio de mostrar o mundo árabe sob sua ótica: uma mulher, negra, brasileira e não convertida ao islamismo, que é a religião predominante naqueles países. Através do seu livro ‘Diário do Oriente – percurso de uma alma beduína’ (Editora Autografia) que será lançado em Barcelona, na Espanha, ainda este ano, quão logo passe a pandemia do novo coronavírus e possam ser realizadas viagens e eventos públicos segundo as recomendações da OMS.

Diário do Oriente

Simone conta um pouco sobre o objetivo do seu livro: “Através deste livro, proponho ao leitor entregar-se a uma cultura, sem pré-julgamentos. Minha obra fala de fatos verídicos vivenciados diariamente em um continente cheio de conflitos e guerra, mas que conserva alguns países em estado pacífico e nos faz entender o que é ser árabe, ser muçulmano, mesmo não sendo convertido a esta religião, e acima de tudo, o que é ser humano na riqueza da palavra, e até faz-nos sentir árabes de coração.”

Foto: Reprodução

Será lançada também uma versão atualizada do livro em formato bilíngue, iniciativa que foi muito elogiada pelo cônsul da Jordânia no Brasil, Mustapha Abdouni: “encontrei com a vossa senhoria consulado honorário da Jordânia em São Paulo e falamos sobre a obra. Ele elogiou a iniciativa e autorizou o uso da imagem dele no livro na versão atualizada. Isto representa muito para mim.”

Simone no consulado honorário da Jordânia – Foto: Reprodução

Brasileira de nascimento e árabe de coração

Simone embora não tenha ligações sanguíneas e genéticas com o mundo árabe, considera que encontrou o seu lugar no mundo nestes países: “é algo inexplicável, é como chegar a um lugar e sentir que pertence àquilo, sem que seja necessário mais nada. É assim que me sinto em elação ao mundo árabe. Sou bem recebida, não sou obrigada a usar burca ou trajes típicos e nunca fui obrigada a me tornar muçulmana. Hoje estudo com um Sheik a religião porque quero entender mais esta cultura que tanto me fascina. Sou brasileira de nascimento mas árabe de coração e sinto como se em outras vidas eu tivesse sido árabe (risos).”

Simone na Jordânia – Foto: Reprodução

Pré-julgamentos do ocidente sobre o mundo árabe

Ao contrário da imagem solidificada na mente da maioria dos ocidentais, Simone conta que não sofreu nenhum tipo de agressão no mundo árabe: “muitas pessoas têm na mente a visão das mulheres como sendo oprimidas nos países árabes, mas não sabem que cada país tem seus costumes e não são iguais no rigor que impõem às mulheres quanto a roupas, costumes e submissão. Vivi maior parte do tempo na Jordânia, onde uma familia praticamente me adotou como uma irmã. Ali aprendi os costumes, a língua e me senti parte daquele contexto. A Jordânia é um dos países árabes mais abertos do mundo e tem uma boa aproximação com outras culturas. Tive total liberdade de ser quem eu sou, mesmo sendo de outra etnia e não sendo muçulmana.”

Processo

O livro foi escrito durante dois anos e meio e ao redor do mundo, em países como Jordânia, Suíça, Itália, Estados Unidos e Brasil: “Vivenciar, libertar-se, fragmentar-se e tornar-se pessoa novamente, com olhar e sentimentos diferentes, sabendo que sua pátria se chama mundo e que cada parte do mundo pertence a você.”

Projetos para o futuro

Segundo a autora, há grandes projetos para o futuro a partir desta obra, que pode ainda se transformar em um documentário e até mesmo ser a base para uma linha de perfumes com inspiração oriental: “Estou desenvolvendo com o roteirista Cleber Marques o projeto do documentário e com o sírio refugiado no Brasil Anas Abaid avançando com o projeto dos perfumes, que provavelmente vai se chamar Alma Beduína.”

Simone também tem feito uma série de conversas e intercâmbios culturais tendo a obra literária como ponto de partida: “O intercâmbio literário ja vem sendo feito e começou com escritor Palestino e ativista Sayid Marcos Tenório, autor do livro ‘Mito da Terra Prometida’. Recentemente também fizemos com a escritora Fabiana Escobar que foi tema de novela na Rede Globo, mais conhecida pela alcunha de Bibi Perigosa, onde ela apresentou seu livro, chamado Perigosa. Hoje ela faz um trabalho lindo na rocinha com Rocywood. Agora, este projeto do intercâmbio deve continuar acontecendo assim que possível e será desta feita realizado na Itália com escritores e intelectuais locais. Estamos ainda definindo todos os detalhes.”

25 de maio de 2020