Especialistas opinam sobre posição de Bolsonaro e do MEC de acabar com os cursos de filosofia e sociologia

Através do Twitter, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta sexta-feira, que haverá redução de investimentos federais nas faculdades de Filosofia e Sociologia. A iniciativa é capitaneada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Nas palavras do presidente, o governo estuda “descentralizar” investimentos no ensino destas duas áreas de ciências humanas para “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”. Ele afirma que alunos já matriculados não serão afetados.

“A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”, afirmou o presidente .

As lideranças do governo informaram que isto não representa encerrar os cursos, mas apenas rever a prioridade de gastos, analogamente ao que vem acontecendo com ONGs e institutos, sem o viés ideológico, direcionado”, Afirmam.

Governo passaria a privilegiar cursos como medicina, engenharia e veterinária – Foto: Pixabay

Reação dos especialistas

Alguns professores e estudantes dos cursos de Sociologia e Filosofia manifestaram-se contrários a posição do ministro da educação e do presidente. Segundo o doutor em Sociologia e coordenador do programa de pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Seráfico, significa abrir mão da formação da consciência: “que importância há em se conhecer o modo de organização e transformação das sociedades? Desde pelo menos o século XIX, a importância desse conhecimento reside no fato de que ele permite que se entenda como e por que indivíduos e coletividades estruturam suas existências com base em valores, interesses e necessidades variados, muitas vezes convergentes, mas também conflitantes”, defende.

O filósofo Fabiano de Abreu sugere como alternativa ao corte de gastos em educação a extinção de privilégios da classe política para balancear as contas do governo e do MEC: “Acredito que haja outros custos a serem cortados que não seja na educação. A filosofia para mim, faz parte da vida de qualquer pessoa, portanto, tem que fazer parte da educação.O país padece com problemas históricos de educação e cultura. Em vez de cortar gastos na educação, poderia ser interessante reduzir o número de políticos e servidores públicos, assim como privilégios”, avalia.

26 de abril de 2019