Pais devem ajudar a evitar o bullying nas escolas, aponta filósofo

SÃO PAULO, 27 de Fevereiro de 2019 — O bullying nada mais é do que uma agressão física ou psicológica em que uma ou mais pessoas ofendem determinada vítima pessoalmente ou por intermédio do mundo virtual. Por mais que o termo pareça ser uma novidade para a sociedade, o bullying existe desde a década de 70. 

A prática acontece principalmente nas escolas, onde os pais dos jovens não estão por perto para impedir o agressor e proteger o agredido. Isso dificulta muito o desenvolvimento de uma criança ou adolescente que sofre com o bullying. Não podemos isentar os pais, que têm uma parcela de culpa por muitas vezes, na inocência, “zombarem” com alguém na frente dos filhos. Ou até mesmo nos casos mais graves em que pais que se agridem verbalmente dentro de casa e com seus filhos por perto. 

Para o filósofo Fabiano de Abreu, cabe aos pais perceberem que eles mesmo estão tendo comportamento inadequados próximos aos seus filhos e observarem também quando a postura dos mesmos com seus colegas de classe não condizer com a educação que vem de casa: “Quando convivemos intensamente com alguém, percebemos suas mudanças comportamentais, ainda que singelas, assim como as distinções e micro expressões faciais comuns, sinais emitidos pelo corpo. Ao percebermos tal mudança em uma criança ou jovem, devemos tentar dialogar. Estabelecer diálogo, procurar ser amigo desta criança ou jovem, implica em passar algum tempo com ele e assim buscar ter uma conversa, dentro de um raciocínio lógico e linguagem apropriados para aquela faixa etária. Ganhar a sua confiança ajuda a ter conhecimento de tudo que se passa em seu cotidiano”. 

É imprescindível verificar se houve uma mudança de postura do jovem, caso contrário é indicado ajuda psicológica. Essa postura pode variar de pessoa para pessoa. E os pais, no papel de orientadores de seus próprios filhos, podem mostrar como seria desagradável se um dia esse adolescente precisasse trocar de escola por ser muito “zombado” pelos outros alunos.

De acordo com o filósofo, é necessário que a escola e os pais estejam sempre em contato e sempre com opiniões parecidas. Fabiano de Abreu acredita que a Filosofia e a Psicologia precisam sempre estar se encaixando assim como uma peça de quebra-cabeça. Para ele, as escolas deveriam contar com os profissionais da área no processo educacional assim como é importante a presença de um professor dentro de uma sala de aula. 

“Hoje em dia muitas crianças passam a maior parte do seu tempo na escola. Lá aprendem e interagem com outros alunos, que trazem à sala de aula características com base em sua educação e cultura. Toda escola deveria ter um psicólogo de prontidão para apurar situações graves como as de bullying, e também quaisquer situações mais leves, que possam tornar-se graves. Os professores deveriam adaptar-se à evolução e a interação digital, pois o professor não deixa de ser também um educador. Fazer uso da criatividade para chamar para si a atenção dos alunos é muito importante. A filosofia deveria ser adotada em todas as turmas, de todos os anos letivos e séries; lembrando que o ensino de filosofia não é para que os alunos sejam filósofos, e sim para que entendam melhor a vida, a existência, suas consequências, comportamento e meios para tornarem-se sociáveis, e assim tentar entender as questões óbvias e as não tão obvias da vida”. 

27 de fevereiro de 2019