“Podemos estar vivendo uma epidemia da Tristeza” diz filósofo

SÃO PAULO, 14 de Fevereiro de 2019 — Um autor luso-brasileiro agora está dentre os prestigiados filósofos que tiveram teses e pensamentos publicados no Provocações Filosóficas, que é a uma das maiores e mais relevantes comunidades dedicada a filosofia em língua portuguesa na atualidade.

Filósofos renomados como Leandro KarnalLuiz Felipe PondéAriano SuassunaMario Sergio Cortella, Ivan Capelatto, Monja Cojen, Flávio Gikovatee tantos outros pensadores da atualidade, discorrem sobre suas teses nesta multiplataforma que inclui uma página de Facebook com 1,1 milhões de curtidas e o canal no YouTube que acumula quase 20 milhões de visualizações.

Fabiano de Abreu, filósofo e jornalista, discorreu sobre a solidão, e trouxe o seu ponto de vista para a questão, cada vez mais comum na sociedade, mesmo em meio a globalização e ferramentas como redes sociais e comunicadores instantâneos de internet.

No artigo, Fabiano de Abreu lista tópicos dos possíveis motivos para esta condição imposta pela pós modernidade aos indivíduos de nossa sociedade.

1- Liberdade excessiva.

“Nunca fomos tão livres em toda a história da humanidade, para fazer o que queremos, para ir e vir. Mas a verdade é que a humanidade sempre precisou de alguém superior para controlar e impor um código moral e de conduta. A liberdade excessiva pode, na verdade, impedirmos de ser plenos, pois as pessoas não sabem o que fazer”.

2- Vergonha e timidez.

“Estes dois itens podem ter a ver com baixa auto-estima e uma auto-imagem subestimada. A partir do momento em que se reconhece o seu próprio valor e talento, e que cada um é especial a sua maneira, perde-se a vergonha e a timidez”

3 – Fragilidade dos laços afetivos.

“Falta de tempo por causa do trabalho, necessidade de uma vida com melhores condições a frente das emoções. Precisamos ter tempo para dedicar a nossos filhos, pais e parentes para uma boa saúde mental”.

4 – Cultura programada inconsciente.

“Estamos programando uma cultura que combate a cultura instintiva, se é que podemos chamar assim. Nossa cultura hoje parece ser contra os nossos instintos mais básicos de sobrevivência. Isolar-se nunca garantiu a sobrevivência de nossa espécie”.

5 – Orgulho moral.

“Medo de interagir por insegurança ou preocupação com o que vão pensar. Segurança pessoal e auto-estima está ligado a interação social. Todos temos talentos, todo ser humano é especial e nunca inferior. Ter a certeza disso é complementar uma vida social”.

6 – Querer estar só versus precisar estar com alguém (solitude e solidão)

“A busca do equilíbrio é um desafio constante mas, como o que eu chamaria de “regra da vida”em que tudo tem que ser com moderação. Todos precisamos de momentos a sós para encaixar os pauzinhos e colocar pingos nos “is” de nossas vidas. Mas não confunda momento com estado fixo”.

7 – Sentir-se só mesmo quando está entre outras pessoas.

“Isso acarreta no que chamo de ‘doença da tristeza’ que antecede qualquer uma das doenças patológicas ou que faz parte dela. Quando reconhecemos esse estado, precisamos usar dessa “solitude infinita” para que seja um momento.

8 – Ser tolerante.

Intolerância não só rima com ignorância mas faz jus a qualidade. Ser tolerante faz parte de um intelecto programado que resulta de forma positiva. Estar só por não tolerar os outros, também é uma forma egoísta de vida.

9 – Optar pela solidão e preferir pets.

“Algumas pessoas, ironicamente, dizem que preferem seus animais de estimação do que a convivência com as pessoas. Na verdade, isso pode expressar o medo de serem traídas, ou de reviverem experiências ruins do passado em outros relacionamentos”.

10 – Solidão tecnológica.

“Assim como bebés não comem se não forem alimentados, não construímos muros sozinhos. Não comercializamos sem alguém para comprar, não adoecemos sem um médico para ajudar. Ficar preso em um lugar interagindo com pessoas online e olhar para o lado e se ver sozinho, é uma solidão por traição de si mesmo”.

14 de fevereiro de 2019