Profissões conservadoras: Alfredo Jr. comenta sobre a invasão virtual de comunicadores natos

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Os médicos tem conquistado cada vez mais espaço nas redes sociais. O público deixa de endeusar o “doutor” quando conta para os seus seguidores a parte profissional e a pessoal, o que gera uma curiosidade trazendo médico e paciente para mais perto um do outro.

Dispensando o título de “doutor”, Alfredo Júnior dos Santos Fernandes é um exemplo de médico que vem ganhando cada vez mais seguidores no meio, especialmente através do Instagram. Ginecologista e Obstetra, Alfredo Jr. conta tudo: as vitórias e derrotas.

Ao ser questionado a respeito de sua trajetória e sobre como chegou onde está atualmente, o médico, com um tom de voz extremamente ameno, esclarece que o caminho percorrido não foi fácil e que desde cedo aprendeu a trabalhar, iniciando com vendas de “chup-chup de cueca” pelas ruas: “com o tempo as coisas melhoraram e fui trabalhar na pamonharia de uma tia, ganhando 30 reais por mês. Era esse o dinheiro que eu usava para fazer curso de teatro e cinema, chegando a ficar em cartaz no teatro em BH e a atuar em duas minisséries na televisão”, compartilha o médico.

O sonho da vida artística acabou quando Alfredo Jr. percebeu que o dinheiro que ganhava não seria suficiente para retribuir a seus pais tudo o que eles haviam lhe dado em oportunidades. Fluente em inglês e espanhol, o médico costuma sempre agradecer aos seus pais. Com o pai caminhoneiro e a mãe dona de casa e faxineira na busca por ganhar um dinheiro extra, a separação de seus pais foi como um divisor de águas: a mãe do médico foi morar com sua avó e, sentindo-se muito sozinho com o pai viajando muito, convidou o namorado para “amigar”. Mal ele sabia que, literalmente, dormia com o inimigo.

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Realizou o grande sonho de sua vida: casou-se no maior estilo. Tudo perfeito, como tudo o que gosta de fazer. Recebeu uma proposta de trabalho no interior de Minas Gerais logo após sofrer com um episódio homofóbico em seu trabalho e foi com mala, cuia, cachorros e o marido para Bom Despacho coordenar a maternidade da cidade.


E por falar em dormir com o inimigo, enquanto a avó  de Alfredo Jr. – a quem chama de rainha – sucumbia para o caminho da morte, seu então marido namorava outro rapaz e como se não bastasse, transferia dinheiro da conta do médico para sua conta pessoal enquanto ele pegava no sono. Parece enredo de novela mexicana, mas aconteceu na vida real.

Hoje divorciado, sem chances para a volta da convivência após descobrir a traição, Alfredo Jr. costuma dizer que seus amigos são os quase 400 mil seguidores que tem hoje nas redes sociais, e é com eles que ele compartilha tudo: a rainha faleceu, sua mãe voltou a morar com ele e agora é ela quem cuida de sua vida profissional. Segundo ele, faz isso muito bem, melhor que qualquer outra pessoa poderia fazer.

Alfredo Jr. dá dicas e conta que o segredo para esse boom nas redes sociais é a autenticidade e esse movimento de estar próximo de seus seguidores e pacientes, mostrando humanidade e se despindo do orgulho daquele médico que ainda hoje se acha Deus. Para estes, Alfredo Jr. diz: “ninguém pode achar por um momento sequer que é Deus. Estamos em uma profissão que o contato com o sagrado é estreito e que isso deve ser respeitado. Deus está segurando minha mão, como posso achar que eu posso decidir as coisas por Ele? De jeito nenhum, sou apenas um servo que obedece e se ajoelha para tentar dar às minhas pacientes o melhor tratamento possível”, esclarece o médico.

Alfredo Jr. se reserva em algumas perguntas. Diz que está escrevendo um livro e não pode revelar tudo por agora. Promete um livro trazendo à tona sua vida profissional, a homossexualidade neste meio e todos os detalhes de seu divórcio, que o levou a tentar suicídio em uma atitude impensada. O médico se despede abençoando a todos e com muita simpatia. Ao perguntar de onde vem isso, ele diz que o mínimo que ele espera dele e dos outros é educação e respeito.

5 de janeiro de 2021